Pensamento íntimo.
Rosetta Forner
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Ontem, acordei com uma música na cabeça intitulada "Pequeno Pormenor". Trata-se de um tema do álbum "Mundo ao Contrário", dos Xutos e Pontapés, lançado em 2004. A propósito, lembrei-me que tinha escrito um pequeno texto sobre a importância dos pequenos pormenores em 2005 e que publiquei aqui com o título "Abrir o golpe...". Já na altura, nesse apontamento, aludi a este tema.
"O movimento de retorno na vida de uma pessoa, a debilidade ou a dissolução da forma, seja através do envelhecimento, da doença, da incapacidade, da perda ou de algum tipo de tragédia pessoal, carrega um enorme potencial para o despertar espiritual - para a consciência deixar de se identificar com a forma."
Noutro dia, contando com a preciosa colaboração do Filipe, da Ana Isabel e da Bia, elaborei uma lista das "frases que já ninguém diz... em Portugal". Se quiserem dar o vosso contributo à lista que se segue, utilizem a secção de comentários à vontade.
A vida é um caminho sem retorno. O que se faz ou se deixa de fazer, num determinado momento, não é susceptível de repetição. Cada momento é único. O difícil mesmo é valorizar essa unicidade no próprio momento. O viver e o sentir, lado a lado. A simultânea compreensão dos sentimentos.
Frágil, porque não conhece o caminho. Convicto, porque não pode ficar parado. Que se cumpra a vida, deixando o mundo girar para o lado que quer. É que não há mesmo nada a perder...
A vida pode proporcionar momentos sublimes. Momentos inimagináveis, que surpreendem um adulto com a mesma simplicidade que se surpreende uma criança. A aparente fragilidade do Ser coloca-o num patamar de susceptibilidade capaz de o transportar para dimensões até então desconhecidas. É a verdadeira descoberta de um novo mundo. Nas mesmas pessoas, descobrem-se personalidades novas. Nas mesmas atitudes, reconhecem-se novos valores. Em cada conversa, a revelação de um Ser que é composto da sua experiência e do seu sentir. Em cada vivência, uma aprendizagem a extrair.
Em cada crise, abrem-se janelas de oportunidade. É o outro lado das crises. A oportunidade de sofrê-las, entendê-las, compreendê-las e superá-las. Aprender para evoluir. No fundo, a oportunidade de recomeçar tudo outra vez, sem receio de ter algo a perder. Enfrentar a realidade, por mais dura que se nos afigure, assumindo o compromisso interior de não cair na própria desilusão. Reconstruir a auto-estima com a humildade de quem sabe que errou e que a vida nem sempre permite segundas oportunidades. Perceber que, quem cai no fundo do poço e não morre, só lhe resta levantar-se. Mas... É tudo escuro. É necessária uma escada. Ela não existe. É preciso construí-la. Agarrar o que se tem e o que se reconhece. Reforçar a confiança. Provocar o orgulho próprio. Colocar a razão ao serviço do coração. Percepcionar o caminho. Descobrir a luz. E sentir que se pode nascer outra vez...
Sem certezas, porque a vida recorda-nos - da pior maneira possível - que não as devemos ter, mas com alguma convicção em processo avançado de consolidação, sou a concordar com o sentimento de desilusão bem expresso nestas palavras da "Sweet About Me".